O Nascimento de uma Revelação

A História dos Documentos de Urantia
por Mark Kulieke

Prefácio

Este resumo histórico está longe de ser perfeito. Ele representa minha melhor tentativa de combinar fragmentos de fatos, verdades, conjecturas e ocasionalmente o que são quase rumores, em um todo significativo. Alguns itens são bem fundamentados; outros apenas parcialmente. Assim como ocorre ao se montarem os restos arqueológicos de uma antiga tabuleta, algumas partes estão faltando completamente.

Eu certamente acolherei correções, ampliações e comentários que melhorem este resumo para as futuras edições. Não considero esta história terminada. Na verdade, tenho dúvidas de que ela possa algum dia considerar-se terminada. O passado está sempre sujeito a reinterpretações, a cada momento que passa. A natureza única deste assunto o faz ainda mais reinterpretável. De qualquer maneira, este resumo é sucinto e será gradualmente expandido nos anos vindouros. Muito mais informações poderiam ser apresentadas, mas isso ultrapassa o objetivo da presente narrativa.

Esta narrativa histórica é tão acurada quanto posso fazê-la, nas presentes circunstâncias. Escrevo esta história como um crente nos ensinamentos do Livro de Urântia e como quem cresceu filho de membros do Fórum. Venho de um grande clã de membros do Fórum. Nasci a tempo de ver, ouvir e em muitos casos conversar pessoalmente com os membros da Comissão de Contato e com muitos dos membros ativos do Fórum, além de minha família.

Muitas histórias serão eventualmente escritas sobre os Documentos de Urântia e em conjunto elas afinal proporcionarão aos leitores uma equilibrada perspectiva no tratamento do assunto. Toda história incorpora os preconceitos subjetivos ou a interpretação de seu autor. Embora as informações venham de muitas fontes, a síntese e perspectiva desta história refletem meu ponto-de-vista. Incorporei abertamente a minha opinião e o meu convencimento sobre vários temas no texto desta história. As páginas finais são particularmente interpretativas. Procurei deixar claro onde inseri minha opinião e convencimento. Mas isso está inevitavelmente subjacente em toda a tessitura da narrativa. Por isso é também importante declarar o escopo desta história. Qualquer indivíduo escreve uma história com propósitos particulares em mente.

Uma de minhas preocupações é proporcionar um entendimento do processo que originou os Documentos de Urântia. Em segundo lugar desejo captar os sentimentos das pessoas e a atmosfera da fase de nascimento. Ao fazê-lo, espero proporcionar hoje uma perspectiva adicional para aqueles que devem servir bem a essa Revelação para fazê-la bem-sucedida. É também meu propósito que aqueles que estão lendo esta história e encontrando a maior parte do material pela primeira vez fiquem habilitados a enfrentar o futuro com mais confiança e sabedoria. Outras observações sobre esse ponto estarão nos parágrafos finais da própria história.

Em primeiro lugar, devo a Bárbara Kulieke uma grande parte das informações contidas nesta história. Ela esteve em grande número de projetos relativos à história de Urântia e um dos mais notáveis foi trabalhar com E. L. Christensen (Christy) por duas semanas, na redação de uma história que Christy jamais completou ou publicou. Bárbara teve acesso a informações que poucos jamais viram.

Os numerosos líderes pioneiros e outros estudiosos atuais dos Documentos de Urântia a quem sou mais grato são os seguintes, em ordem alfabética: Clyde Bedell, Arthur Burch, Ruth Burton, Tom Choquette, E.L. Christensen, Edith Cook, Scott Forsythe, Vern Grimsley, Geraldine Kulieke Hahn, Carolyn Kendall, David Kulieke, Lynne Kulieke, Marilynn Kulieke, Warren Kulieke, Dr. William S. Sadler, Meredith Sprunger e Grace Stephens. Na realidade, sou grato a muitos outros por palavras ou estórias esparsas. Eu jamais poderia enumerá-los a todos.

Jesus disse: “É o desejo final d’Aquele que me enviou, que eu não perca um só dos que Ele me deu” (*p. 1711. Um asterisco * indica “O Livro de Urântia”, copyright 1955 da Fundação Urântia. Todos os direitos reservados. Assim me refiro a quaisquer citações marcadas por um asterisco neste documento ). “Se um homem de bom coração tem cem ovelhas e uma delas se extravia, não vai ele imediatamente deixar as noventa e nove e sair em busca da que se extraviou? E se ele é um bom pastor, não prosseguirá na busca da ovelha extraviada até encontrá-la?” (*p. 1762). “Não é desejo de meu Pai do Céu que um só desses pequenos se extravie, menos ainda que morra” (*p. 1762). E assim, nosso humilde mundo de Urântia, isolado e “verdadeiramente entre os menores de toda a Criação”, tornou-se um mundo de “grande interesse universal” (*p. 466). “Às vezes o último é o primeiro, quando na verdade o menor se torna o maior” (*p. 466).

O Pai Universal e seu filho Micael estão empenhados em um inimaginável esforço de aproximação para resgatar Urântia do caos da rebelião e restaurá-la à progressiva ascensão à glória no Universo de Nébadon. Jesus disse: “O Pai sabe do que vocês precisam, mesmo antes que Lhe peçam” (*p.1577). Assim foi que na primeira década do século 20, mesmo antes dos mais feios dias de colheita de uma idade materialista e secularista, que a dádiva da Revelação começou a descer novamente sobre o nosso confuso planeta. As primeiras atividades visíveis do que se tornaria “O Livro de Urântia”, a Quinta Revelação de Época da Verdade para o nosso mundo, começaram na passagem de século e quase certamente não depois de 1906. Assim como ocorre com qualquer acontecimento significativo na história, deve-se entender que muitos fatores convergiram para conformar aquele evento inicial. Na realidade, as raízes da Quinta Revelação de Época se lançam em direção a todas as partes de nossa história planetária: a experiência andonita; a rebelião de Caligástia; a falha adâmica; as derrotas e fracassos evolucionários, bem como os sucessos desse drama de um milhão de anos; as outorgas de emergência dos Melquisedeques; e a auto-outorga de Cristo Micael há 2000 anos. Todos esses acontecimentos formaram o caldo de cultura evolucionário do qual surgiu “O Livro de Urântia”.

Na Idade Média (cerca de 1200 a.C.) os Seres Intermediários Unidos de Urântia formalmente solicitaram uma nova Revelação nas linhas do “Livro de Urântia”. Aparentemente seu pedido foi finalmente atendido, mas talvez o Livro fosse de qualquer modo um aspecto de nosso destino. Quem poderia dizer quantos fatores humanos foram observados, quantas outras tentativas foram feitas para começar o processo revelatório, antes de obterem êxito os nossos supervisores celestiais? (este último é um termo utilizado genericamente no presente documento e não pretende referir-se àquele grupo específico de seres supra-humanos). Sabemos que mesmo no século 20 eles estavam observando diversos grupos humanos, com vistas a engajá-los nessa aventura revelatória. Os administradores supra-humanos nunca operam sem planos alternativos em qualquer empreendimento importante. É uma lição digna de nota que o destino pode ser modificado e freqüentemente o é. Se o guardião é infiel em relação ao talento de verdade sob sua guarda, até aquilo que ele tem lhe será subtraído e dado a outro (vide p. 1876).

Nossos supervisores celestiais tramaram criar as condições para a revelação em Chicago, Illinois, no próprio coração do continente norte-americano. Era uma cidade sobre a qual Rudyard Kipling havia dito, em 1890: “Tendo-a visto, fortemente desejo não vê-la novamente. Ela é habitada por selvagens”. Carl Sandburg se referiu à cidade como “o açougueiro do mundo” e ela se tornaria mundialmente famosa como uma cidade de bandidos e de corrupção política. Mas sob o peso de tudo o que era desagradável, ela se tornaria abençoada como a cidade de uma visita celestial. Talvez seja novamente um caso em que o último se torna o primeiro (“Pode algo de bom sair de Nazaré?” (* p. 1527). Provavelmente Chicago foi escolhida por uma grande variedade de razões, assim como a Palestina havia sido selecionada como cena para a vida e os ensinamentos de Jesus.

Há poucas dúvidas de que diversas personalidades humanas foram reunidas, por guia celestial inconsciente, para formar o núcleo do grupo recebedor da Quinta Revelação de Época. Esse grupo viria eventualmente a ser conhecido como a Comissão de Contato. O processo provavelmente começou em Battle Creek, Michigan e tudo convergiu para a área de Chicago, primeiro no subúrbio de La Grange e pouco depois no n° 533 da Diversey Parkway, que na época era parte do extremo norte de Chicago. O nº 533 de Diversey permaneceu como o centro e local de nascimento dos Documentos de Urântia, durante o processo evolutivo de 50 anos que culminou com a publicação do “Livro de Urântia” em 1955.

Concordo com o entendimento de que Seres Intermediários, estudantes em visita ou supra-humanos de alguma natureza fizeram tentativas de contato por centenas de anos, talvez em parte para prática e ajustamento, possivelmente com a esperança de encontrar um indivíduo humano ideal, talvez para fundar grupos com visão de futuro, dos quais poderia eventualmente surgir a revelação de época, mas de qualquer forma, sob a coordenação de alguma realidade transcendente como o Espírito Materno do Universo, o Sétimo Espírito Reitor ou outra influência. Talvez tais tentativas tenham sempre ido no sentido da auto-revelação. De qualquer modo acredito que um esforço mais concertado caracterizou alguns dos últimos séculos, talvez começando com Swedenborg ou mesmo antes. Embora os supra-humanos (Seres Intermediários) aparentemente desejassem algo na escala do “Livro de Urântia”, não temos provas de que seu pedido formal haja sido recebido ou atendido até 1924.

A experiência com o grupo de contato bem pode ter começado até mesmo sem conhecimento supra-humano ou determinação do eventual resultado. Tenho algumas provas fragmentárias que sugerem isso. Uma visita de inspeção de Tabamântia a Urântia é mencionada no “Livro de Urântia” como efetuada “há não muito tempo” (* p. 1189). Estou a par de um relato humano que sugere que Tabamântia nos visitou por volta da Primeira Guerra Mundial. Havendo testemunhado a experiência de contato em andamento, ele teria trazido algumas “admoestações e acusações” (* p. 1189) dirigidas aos então participantes supra-humanos. Parece totalmente razoável que em decorrência daquela visita o tratamento da matéria tenha sido colocado em outros termos.

Sabemos que em 11 de fevereiro de 1924 Maquiventa Melquisedeque anunciou ao grupo de contato o plano de escrever os Documentos de Urântia, com a participação do que era conhecido como o Fórum, existente há cerca de quatro meses. Bem pode ser que ordens mais baixas de seres estivessem igualmente desinformadas sobre a abrangência do projeto até perto daquele momento. Assim, a experiência de contato começou entre 17 e 15 anos antes do anúncio formal da outorga da Quinta Revelação de Época a Urântia. Uma data inicial de 1911 é dada pelo Dr. Sadler em “The Mind at Mischief” (“Travessuras da Mente”), mas se sabe que ela tem um atraso de vários anos.

Muitas informações e muitas centenas de páginas de material escrito existiam antes do começo oficial do processo revelatório em 1924. Embora as informações fossem algo mais gerais, em certo sentido formavam uma base para os Documentos de Urântia. Alguns dos mesmos fatos e verdades que estão no Livro estavam nesse material inicial. O grupo de contato tinha tido muitos anos para trabalhar em conjunto, aprender, experimentar, treinar e crescer sob a guia supra-humana, antes que o drama focal começasse. Eu arriscaria dizer que esse período foi um tanto caótico para os participantes, intelectual e psicologicamente. Também sabemos que os próprios Seres Intermediários aprenderam bastante, em termos de fatos e verdades universais, no decorrer desse processo revelatório.

O grupo de contato, depois conhecido como a Comissão de Contato, abrangia pelo menos seis pessoas e possivelmente diversas outras. Os conhecidos são os Doutores William Samuel e Lena (Kellog) Sadler, seu filho William S. Sadler Jr. (Bill), Wilfred e Anna Kellogg (irmã de Lena) e Emma L. Christensen (Christy). Outro médico é cogitado por um membro do Fórum como participante até 1920, provavelmente Meyer Solomon. Além disso, se o indivíduo humano não era uma dessas sete pessoas, devemos presumir um oitavo membro desconhecido do grupo. Pode ter havido outros, agora desconhecidos, nos anos iniciais em que o Dr. Sadler estava examinando cientificamente o fenômeno com bastante rigor. Cheguei a ouvir dizer que ele consultou Houdini sobre a matéria. Entretanto, o grupo de contato não foi formalmente comissionado até 1924, assim sendo aqueles outros não teriam sido partes integrantes da Comissão de Contato.

A maioria dos estudiosos regulares do “Livro de Urântia” sabe que a identidade do indivíduo receptor humano jamais foi revelada. Ele é revelado como sendo do sexo masculino no “Livro de Urântia”. Há os que pensam conhecer a identidade do indivíduo e algumas opiniões foram expressadas com certeza ou sentimentos exagerados. O fato é que os participantes humanos e supra-humanos parecem ter coberto suas pegadas adequadamente. Não pode haver certeza sobre a identidade do indivíduo – apenas conjecturas. As raízes jazem muito profundamente no passado para que alguém saiba. Até os membros mais pioneiros do Fórum chegaram à cena 20 anos depois que toda a operação havia começado – tempo suficiente para a Comissão de Contato organizar sua atuação na matéria e deixar todos os outros sem pistas. Sabemos ter sido essa a sua intenção, conforme as observações a eles feitas pelos Reveladores: “Não desejamos um São Pedro, São Paulo, Lutero, Calvino ou Wesley associado ao ‘Livro de Urântia’, dentro de mil anos”.

Podemos estimar com razoável segurança que a Comissão de Contato consistia de membros do Corpo de Reserva do Destino. Isso se tornou bem conhecido nos casos do Dr. Sadler e de Christy (E. L. Christensen). Parece evidente que todos os membros do grupo teriam de ser reservistas, dada a magnitude do projeto com que eram íntimos.

O Dr. William S. Sadler era o líder da Comissão de Contato – essencialmente co-presidida por sua esposa Lena (segundo o modelo revelado no “Livro de Urântia”) até a morte dela em 1939. O Dr. Sadler tinha formação de cirurgião e psiquiatra e estava assim dotado de mente científica, parecendo ter sido geralmente cético em relação aos fenômenos psíquicos. No caso do contato revelatório e dos Documentos de Urântia ele testou, investigou e estudou por muitos anos. Ele era tão perturbador em suas investigações que os Seres Intermediários se aborreceram um pouco com ele. Estava assim perfeitamente habilitado para administrar um caso de Revelação genuína. Ele experimentou tudo que sabia para testar o indivíduo humano e os supra-humanos. Esgotou as possibilidades. Ele mencionou e admitiu, no apêndice de “Travessuras da Mente”, inicialmente publicado em 1929, que este era um dos dois únicos casos que considerava revelações verdadeiras (Especulou-se que Ellen White seria o outro caso a que se referia). Ele dedicou muitos anos a desmascarar vários místicos e psíquicos de seu tempo, numa época em que era considerável o interesse por tais fenômenos. Embora aceitasse provisoriamente a validade do contato Urântia desde os momentos iniciais, passaram-se cerca de 30 anos até que tivesse certeza sobre o assunto. Especificamente, o documento sobre os doze apóstolos lhe deu a certeza final.

Somente a Comissão de Contato conhecia a identidade do “indivíduo humano” e alguns dos detalhes relativos à transmissão. Mesmo assim, eles garantiam que havia muitas lacunas, mesmo no seu conhecimento do processo de contato, e que um total entendimento seria impossível para quem quer que fosse. Seja como for que a experiência de contato haja começado, ela mais tarde abrangeu muitas formas de contato e diversas personalidades, devendo pelas evidências haver incluído pelo menos as seguintes:

  • 1. O contato descrito no “Livro de Urântia” e em “Travessuras da Mente”, com a personalidade humana inteiramente inconsciente durante os contatos e falando audivelmente aos presentes;
  • 2. Idêntica à anterior, exceto pelo fato de que o “indivíduo humano”, inconsciente ou semiconsciente, em vez de falar escrevia o material dirigido por seu intermédio pelos supra-humanos. Isso não deve, entretanto, ser confundido com a escrita automática. O Dr. Sadler negou que tenha ocorrido qualquer coisa do tipo escrita automática ou outro fenômeno automático;
  • 3. Algo assemelhado à chamada “canalização” Alguém mais do que o indivíduo humano, também membro do grupo de contato, conscientemente recebia impulsos internos e depois escrevia, sem que os demais percebessem. Assim parecem ter vindo algumas instruções. Eu não me surpreenderia se todos os membros da Comissão de Contato tivessem essa habilidade;
  • 4. Contato auditivo direto entre os membros da Comissão de Contato e os Reveladores supra-humanos.
  • 5. Materialização de documentos físicos pelos supra-humanos;
  • 6. Visibilização do invisível. A Comissão de Contato foi habilitada a ver transportes seráficos;
  • 7. Visões. O Dr. Sadler foi habilitado a ver os Mundos de Mansões antes de sua morte. Parece-me que a refletividade foi também empregada para habilitá-lo a ver certos acontecimentos em distantes locais da Terra.

Os números 1 e 2 parecem estar fortemente interligados e foi a forma predominante utilizada para o texto dos Documentos de Urântia propriamente ditos. Fica aparente nessa lista que a experiência com supra-humanos foi penetrante, complexa, multidimensional e evolutiva. Os membros do Fórum, que começou em outubro de 1923, vieram a conhecer muito do processo de contato, mas não tanto quanto a Comissão de Contato.

O contato foi uma experiência muito rica, que pouco a pouco se ampliou e floresceu por um período de vários anos, enquanto a própria Comissão de contato se orientava, aprendia e evoluía em sabedoria e espiritualidade. Houve, claro, muitas instruções e muitos diálogos com os Reveladores, além da própria apresentação do texto do “Livro de Urântia”. Nunca saberemos sobre a maior parte desse material suplementar, pois ele era periodicamente destruído quando não mais necessário, ou por outras razões. Alguns foram destruídos pelos próprios Reveladores antes da publicação, ou pela Comissão de Contato, seguindo suas ordens. Material adicional foi triturado em seguida à morte do Dr. Sadler. Christy autorizou a destruição das últimas porções na fase terminal de sua doença. Apenas fragmentos desse numeroso intercâmbio sobreviveram em outras matérias escritas ou em cartas e notas pessoais de alguns participantes.

É de boa valia entender que a experiência de contato foi por um lado muito profunda e arrebatadora, mas por outro freqüentemente pessoal, informal e liberalmente combinada com humor. Como um paralelo, pensem sobre o Jesus moroncial participando de um desjejum, brincando e visitando seus apóstolos nas margens do Mar da Galiléia. Os Seres Intermediários e os Serafins freqüentemente recorriam ao humor, usualmente austero, e também à gíria humana. Muitas de suas afirmações eram estritamente limitadas às circunstâncias em que eles trabalhavam, tais como comentários sobre nações, líderes, partidos políticos, organizações, tipos de personalidade, etc. Eles falavam de coisas de que gostavam, de coisas que desejavam ver, e discutiam seus problemas com humor. O “Livro de Urântia” é uma declaração formal planejada para ser lida e estudada por milhões de pessoas. Os supra-humanos, em seus diálogos no dia-a-dia, não eram tão formais. Entretanto, quanto mais alto o tipo de personalidade, tanto mais formal e sério ele nos aparecia.

Se todos os leitores do “Livro de Urântia” conhecessem a descrição completa da experiência de contato, provavelmente uma porcentagem deles ficaria perturbada por algumas das atividades dos supra-humanos. Creio que isso pode dever-se ao fato de que os supra-humanos estavam relacionando pessoalmente com os Comissários de Contato e desejavam aproximar-se para se relacionarem conosco no nível em que estávamos e nos conduzirem pela mão. Como cada pessoa é única, os supra-humanos se relacionavam com cada pessoa de forma única. Todos nós temos muitos julgamentos e opiniões sobre a conduta e o comportamento supra-humanos. Conseqüentemente, muitos ou a maioria de nós poderia tornar-se crítica ou confusa, perturbada e desorientada pelas realidades do contato supra-humano. Além disso, esse fato poderia dificultar o caminho para a verdadeira produtividade de tal contato conosco.

Embora a Comissão de Contato se relacionasse com os supra-humanos e fosse a verdadeira detentora dos Documentos de Urântia, os Reveladores utilizaram um grupo humano mais amplo em sua metodologia. Esse grupo era o Fórum e o Fórum foi vital para o nascimento da Revelação. Esse foi um processo evolucionário fundamentado na experiência e no entendimento humanos. Toda revelação deve aproximar-se da posição humana evolucionária para ser eficaz. Os supra-humanos precisavam dos seres humanos do Fórum, tanto quanto esses humanos precisavam de orientação celestial. O Fórum foi formado pelo Dr. Sadler, “ao convidar alguns amigos” à sua casa, nas tardes de domingo, para discutir temas interessantes na ordem do dia no plano da religião, da filosofia, da psicologia e da ciência. O Fórum funcionou, provavelmente por cerca de um ano, com poucos elementos revelatórios. Assim os membros tiveram tempo para chegar a um certo nível, antes de se darem conta do verdadeiro propósito (do ponto de vista supra-humano) de suas reuniões. Quando o comissionamento pelos Melquisedeques foi revelado a eles em dezembro de 1924, eles tomaram conhecimento de qual seria sua participação em todo o processo.

O procedimento foi o seguinte: eles deveriam ler um documento em cada tarde de domingo. Este era normalmente lido para eles por um dos Comissários de Contato, geralmente o Dr. Sadler. Eles deveriam escrever quaisquer perguntas que lhes viessem à mente e entregá-las a cada semana. O Sr. (Wilfred) Kellog era via de regra o responsável pelo recebimento delas. As respostas às perguntas eram então consideradas pelos Reveladores supra-humanos. As respostas se incorporavam a um documento subseqüente ou a uma revisão do documento original. Dessa maneira um documento sobre Deus eventualmente se multiplicou em cinco documentos sobre Deus – os primeiros cinco do Livro. Outras partes foram similarmente estendidas depois que os supra-humanos monitoraram a reação humana ao seu material.

A interação e o diálogo com os humanos foram o verdadeiro teste para os Reveladores supra-humanos. Não importa quanto eles nos conheçam, não conseguem prever completamente os nossos pensamentos, ações e reações sem essa interação. Dessa maneira os Documentos de Urântia foram fundamentados no entendimento humano. Quantas vezes vocês leram um parágrafo e formularam uma pergunta, apenas para vê-la respondida em um ou dois dos próximos parágrafos? Aí está a trilha da origem do Livro em um processo criativo conjunto, de perguntas humanas e respostas supra-humanas.

Esse processo inicial levou cerca de cinco anos e então resultou em 57 documentos. Mas o processo não parou aí. O Livro se adiantou a outra geração de entendimento humano, entre 1929 e 1935. Depois de anos lendo papéis, o primeiro rascunho das Partes I – III, o Fórum recebeu uma mensagem mais ou menos nestes termos: “Com o seu entendimento aumentado pela leitura e estudo do material, vocês podem agora formular perguntas mais inteligentes. Vamos repassar o Livro mais uma vez”. E assim o Livro foi sendo revisto e ampliado semana após semana e ano após ano, e os membros do Fórum aprenderam e cresceram.

Foi relatado por diversos membros do Fórum que algum material revelatório foi recolhido – seja porque era muito incompreensível para a mente humana, seja porque se achou melhor não revelar a informação aos futuros leitores. Pelo menos um membro do Fórum acreditava que diversos dos documentos mais difíceis não teriam sido incluídos no “Livro de Urântia” sem as perguntas formuladas por William S. Sadler Jr.

O Dr. Sadler disse em um documento que cerca de 150 pessoas participaram desse processo criativo. Em outro ele menciona 300 pessoas, embora cite que o total de membros do Fórum até 1942 foi de 486. O número oficial original era de 30 pessoas. Naquela época, como agora, havia uma combinação de pessoas que incluía os muito dedicados, os indiferentes e até alguns com reações negativas em relação ao assunto. Eles provinham de origens diversificadas. Na marcha dos acontecimentos humanos através dos anos, alguns desistiram, alguns se mudaram da cidade e outros se mudaram para os mundos de mansões.

Por volta de 1934 e 1935 o processo estava essencialmente completo em relação às primeiras três partes do Livro. Uma terceira rodada criativa final foi empreendida entre 1935 e 1942, para esclarecer conceitos e remover ambigüidades. Isso aparentemente resultou apenas em uma pequena revisão pelos Reveladores supra-humanos.

Cerca de 1935 o Fórum recebeu os documentos sobre Jesus, dos Seres Intermediários que haviam esperado pela aprovação de Uversa (capital do Super-Universo) antes de começarem a trabalhar na história. A rodada final de esclarecimento e edição entre 1935 e 1942 parece ter incluído a Parte IV (sobre a vida e os ensinamentos de Jesus). A Parte IV não tem data. Ninguém explicou porque. Acredito que seja porque as Partes I a III contêm cosmologia que se tornará ultrapassada e eventualmente necessitará de uma revisão. A Parte IV, por outro lado, contém “fatos históricos e verdades religiosas” que deverão “permanecer nos registros das eras que virão” (p. * 1109). Sua data não precisa ser fixada.

Os anos de pré-publicação podem ser divididos em três fases aproximadamente iguais:

  • 1. A fase inicial de contato, 190(6) – 1924, o período de aproximação durante o qual a Comissão de Contato é treinada e preparada para a ação;
  • 2. A fase de nascimento, 1924-1942, o verdadeiro processo de redação e diálogo indireto entre os Reveladores supra-humanos e os membros humanos do Fórum; e
  • 3. A fase de desenvolvimento organizacional, 1942-1955, o período de composição tipográfica, de preparativos para a publicação e de coleta de fundos para o efetivo lançamento da Revelação. Esse período na verdade começa em 1937 em alguns aspectos e se confunde com o segundo período.

Em 1939, aparentemente por ordem dos Reveladores, foi constituído um grupo que se tornaria conhecido como Os Setenta – simplesmente porque 70 pessoas originalmente se comprometeram com ele. Surpreende-me o desenvolvimento paralelo do treinamento de 70 evangelistas durante a vida pública de Jesus – também aparentemente em decorrência do fato de que 70 pessoas se comprometeram inicialmente. Os Setenta empreenderam um estudo mais intensivo do Livro e instituíram aulas noturnas às quartas-feiras, além das reuniões de domingo. Esse grupo foi visto como o precursor da Escola da Fraternidade Urântia.

O manuscrito do “Livro de Urântia” só podia ser lido no nº 533 da Diversey Parkway, dos anos ’20 até 1955. Havia várias cópias e as pessoas podiam retirar um documento por vez, para lê-lo naquela casa. Elas podiam ler antes da reunião de domingo ou durante o horário comercial e à noite, nos dias de semana. Os documentos eram guardados em um cofre e administrados pela Comissão de Contato. Os Setenta obedeciam à exigência de pelo menos 75% de freqüência às reuniões. Isso também se aplicava a todo o Fórum, durante a fase de redação. Antes de 1955, algo como 450-500 pessoas diferentes compareceram às reuniões do Fórum. Bill Sadler avaliou em 300 o número de participantes. Um documento do Dr. Sadler estabeleceu esse número em 486, até maio de 1942. Alguns podem ter ido apenas algumas vezes e desistido. Outros foram à primeira reunião em 1923 e ainda estavam indo em 1956, quando o Fórum se tornou a Primeira Sociedade Urântia, também sediada em Chicago, no nº 533 da Diversey Parkway. E esses mesmos indivíduos prosseguiram até os anos ’70 e ’80, sempre comparecendo às reuniões de domingo no nº 533.

As pessoas comuns conheceram o Fórum e o que ele estava fazendo apenas da maneira mais discreta. Os membros tinham o compromisso de manter segredo. Eles não deviam dizer nem às suas famílias a natureza do que estavam fazendo. Se algum deles achava que tinha um novo membro em potencial a indicar, podia apenas descrever as reuniões em termos gerais e marcar uma entrevista com o Dr. Sadler. O Dr. Sadler conversava longamente com cada novo ou potencial membro. Se demonstrasse genuíno interesse pelo grupo na conversa com o Dr. Sadler assumia o compromisso de segredo e era admitido ao grupo sem qualquer formalidade adicional. Cada um tinha de ler os documentos por conta própria para atingir o nível do grupo.

Parece-me adequado salientar que os membros do Fórum transpiravam camaradagem e um sentimento coletivo de excitação e expectativa em relação ao plano de que estavam participando. Ainda criança, nos anos ’50, percebi um sentimento de intimidade, amizade e propósito comum, que nunca mais encontrei igual no movimento de Urântia desde então. Talvez a coesão do Fórum possa ser comparada à de um só grupo de estudo estreitamente integrado e bem funcional. Eram tempos especiais para um grupo especial, e eles estavam cientes de sua função na história de nosso mundo.

À medida que o texto dos Documentos de Urântia se completava, o grupo começou naturalmente a concentrar seus pensamentos sobre como fazer chegar a Revelação ao mundo e a considerar o formato da organização ou organizações que o patrocinariam. O primeiro conflito maior data dessa época e envolveu um místico e escritor chamado Harold Sherman. Resumirei o incidente em poucas palavras. Há consideráveis diferenças de opinião sobre o que transpirou desse episódio, que não podem ser resolvidas prontamente. Esta narrativa constitui um entendimento algo parcial, sintetizado de muitas fontes, mas principalmente seguindo o ponto de vista do Dr. Sadler e, até certo ponto, o de meu pai, Warren Kulieke. Harold e sua esposa Martha se juntaram ao Fórum por volta de 1942. Harold era aparentemente carismático e pessoalmente persuasivo. Enquanto tentava, de forma aparentemente benigna, trazer a Revelação para o controle democrático do Fórum parecia ter uma agenda secreta. Deve-se relembrar que a Comissão de Contato era uma extensão da própria Comissão Revelatória supra-humana; eles recebiam ordens dos supra-humanos. Ao tentar retirar os Documentos de Urântia do controle da Comissão de Contato, e em particular da liderança do Dr. Sadler, Sherman estava na verdade desafiando a autoridade dos Reveladores supra-humanos. De acordo com o Dr. Sadler, Sherman estava atuando orientado por Caligástia, que tentava dividir o grupo. A Comissão de Contato foi informada de que Caligástia detestava os Documentos de Urântia e procuraria destruí-los. Eles foram ainda informados de que Caligástia operava colocando cunhas entre as pessoas e grupos, para criar desunião. A manutenção da unidade era muito enfatizada pelos Reveladores.

Sherman fez circular uma carta ou petição para os membros do Fórum assinarem, criticando o controle dos Documentos de Urântia pelo Dr. Sadler. Muitos membros, não percebendo a real intenção por trás dessas ações, juntaram-se à causa ao assinarem a petição de Sherman. A chamada Rebelião Sherman foi vista como uma ameaça à integridade da Revelação. Os Seres Intermediários classificaram a situação como uma crise e freqüentemente mantiveram contato com o Dr. Sadler por horas a fio, desde o início da rebelião até sua conclusão. O Dr. Sadler convocou cada signatário, um por um, e conversou longamente com eles. Ao final todos pediram que seus nomes fossem retirados da petição, com a aparente exceção dos Shermans. A crise estava controlada e, embora tenha continuado algum conflito com Sherman, o perigo havia passado.

Parece ter havido discordância intelectual no seio da própria Comissão de Contato, sobre como organizar-se, e isso não é particularmente surpreendente, tendo em vista o fato de que até os Serafins do Progresso e os Serafins das Igrejas estavam em conflito a respeito da gestão dos Documentos de Urântia naqueles dias. Eles assim permaneceram até que uma nova chefia do governo supra-humano se instalou e começou a lidar com a matéria, no início dos anos ’50.

A pesquisa e análise das formas de organização pela Comissão de Contato e pelo Fórum começaram no final dos anos ’30 e continuaram pelos anos ’40. Houve considerável diálogo e orientação dos serafins e Seres Intermediários sobre o assunto. A Comissão de Contato foi alertada sobre o perigo dos idealistas transviados. Eles foram informados de que era necessária uma combinação de idealistas e homens de idéias. Paulo era um homem de idéias e teve êxito, mas comprometeu sua ideologia. Abner era um idealista inflexível e fracassou grandemente. É necessário um equilíbrio entre os dois. A Comissão de Contato foi também informada de que “O Livro de Urântia” não deveria estar sob o controle direto de uma organização democrática, sempre sujeita aos caprichos e volubilidades de seus membros. Ao mesmo tempo, os membros não deveriam estar sujeitos a um corpo autocrático. Eles tinham de ser representativos.

O esquema organizacional de ter duas organizações principais, a Fundação Urântia e a Fraternidade Urântia, foi trabalhado durante um período de muitos anos e finalmente aprovado pelos supervisores celestiais. Embora eles tenham observado que a Constituição da Fraternidade Urântia não era perfeita, ela foi declarada como um documento hábil como qualquer outro e continha a previsão de posteriores emendas.

Embora as evidências indiquem sua preocupação com a concentração de um excesso de poder na Fraternidade, não acho correto pensar que eles não tivessem preocupações com a Fundação também. A chave era manter em harmonia e equilíbrio os dois corpos dissimilarmente concebidos. Este não seria um sistema hierárquico, assim como um par de Serafins não tem hierarquia. Os Serafins trabalham conjuntamente. Um é positivo em energia, o outro negativo, mas eles são descritos como intercomplementares. Este, creio, era o plano para a Fundação e a Fraternidade Urântia – a intercomplementaridade. Bill Sadler as comparou aos membros de um time de futebol americano, sendo a Fundação o jogador de linha média e a Fraternidade o “quarterback” A Fundação Urântia não formou a Fraternidade Urântia, preferiu reconhecer formalmente a Fraternidade e conceder-lhe certos encargos, como a promoção das vendas do “Livro de Urântia”.

A Fundação Urântia se tornou herdeira direta da Comissão de Contato em 1950. Em agosto de 1942 foram dadas, à futura Fundação, instruções para assegurar os direitos autorais do “Livro de Urântia” e providenciar a marca registrada do nome “Urântia”. A Comissão foi informada:

“Vocês não fizeram o suficiente para salvaguardar seu nome. Façam-no seguro por uma geração, de forma que o nome “Urântia” não possa ser tomado”.

“Com uma marca registrada se detém um nome. O mesmo se faz com uma empresa. Uma empresa tem um status jurídico. O mesmo se aplica aos direitos autorais. Vocês devem cuidadosamente registrá-los na divisão governamental que indiquei, a qual controla as relações comerciais e as marcas registradas, então estarão protegidos pela lei em uma associação voluntária como estão planejando fazer com a Fraternidade Urântia. Vocês devem salvaguardar o nome de qualquer maneira. Esta é uma de suas mais importante obrigações”.

“Em 50, 75 ou 100 anos o nome estará bem seguro. Vocês o salvaguardam por uma geração e ele então cuidará de si mesmo”.

Depois que os Conselheiros da Fundação se tornaram guardiões do “Livro de Urântia”, cuidaram de adotar essas providências. Ouvi dizer que um dos membros do Fórum entendeu que um equivalente do “Livro de Urântia” havia sido outorgado a numerosos mundos. Não tenho informações para comprovar isso no momento.

Conforme mencionado acima, algumas mudanças no governo planetário supra-humano de Urântia foram adotadas em 21 de agosto de 1950 e em decorrência disso houve modificações durante vários anos depois, finalmente afetando a direção e gestão dos Documentos de Urântia. Alguns dos encargos humanos deveriam estar nas mãos dos Conselheiros da Fundação Urântia, sujeitos ao poder de veto dos Seres Intermediários Unidos de Urântia. Que forma de poder de veto era, fica completamente aberto a especulações. O Regente Pessoal do Vice-Regente Príncipe Planetário de Urântia anunciou que a direção geral da Revelação, pelos próximos 500 anos (a partir de 11 de fevereiro de 1954), ficaria nas mãos dos Serafins do Progresso (anjos do progresso), com o controle mais imediato, pelos próximos cem anos, aos cuidados dos Serafins das Igrejas (guardiões religiosos). Ele anunciou que se reservava o direito de intervir a qualquer momento. Novamente, a forma de tal intervenção pode ter ficado desconhecida para todos. Eu próprio presumiria que tal intervenção normalmente pudesse ocorrer naturalmente, por meio de agentes humanos integrantes do Corpo de Reserva do Destino.

O Regente recebeu poderes para adotar essas decisões depois que uma recentemente constituída Suprema Corte de Urântia, criada em novembro de 1951, concedeu-lhe autoridade sobre a Revelação. Após seu primeiro ano no cargo, em 1951, ele anunciou à Comissão de Contato que seu primeiro ano não havia sido completamente feliz – ele havia gasto a maior parte do tempo “tentando prevenir ou adiar uma guerra global”. Em outra ocasião ele se revelou chocado pela falta de entusiasmo de alguns membros do Fórum em relação aos Documentos de Urântia. Não percebiam eles o que tinham em mãos? Ele opinou que talvez fosse pelo fato de que poucos mortais “podem suportar o teste do tempo”. Disse ainda que, de uma forma geral, Os Setenta eram razoavelmente dedicados, mas relativamente poucos outros o eram. Em 11 de fevereiro de 1952 (28 anos depois da mensagem de Maquiventa) ele comunicou à Comissão de contato que ele, e somente ele, decidiria a época da publicação. Entretanto, se nada ouvissem de sua parte por um período de três anos, a Fundação estaria livre para cuidar da publicação. Ele também lhes disse que preparassem um índice a ser publicado em volume separado. A Comissão de Contato nada mais ouviu de parte do Regente por três anos e, em 11 de fevereiro de 1955, os Conselheiros da Fundação Urântia assinaram sua “Declaração de Intenção de Publicar o ‘Livro de Urântia'”.

Os trabalhos para a impressão começaram imediatamente depois. A composição havia sido completada antes, assim como outros preparativos preliminares. “O Livro de Urântia” foi publicado em 12 de outubro de 1955, uma noite de quarta-feira, dia em que Os Setenta regularmente mantinham aulas no nº 533 da Diversey Parkway. Ainda me lembro do entusiasmo de meu pai, quando veio para casa aquela noite com quatro Livros de Urântia. Muitas dessas pessoas haviam esperado durante décadas por esse evento tão importante, e ele finalmente havia chegado. A freqüência e a natureza dos contatos parecem ter-se alterado bastante, a partir de 1952. As organizações estavam atuando em grande parte por sua própria conta.

Tanto o Dr. Sadler quanto Christy comentaram que os Documentos de Urântia foram publicados exatamente como recebidos, ressalvados os erros de cópia, muitos dos quais foram mais tarde identificados e corrigidos. A Comissão de Contato estava limitada a fazer mudanças de ortografia, maiúsculas e pontuação.

A Fraternidade Urântia foi constituída em 2 de janeiro de 1955, por 36 membros do Fórum que atuaram como Conselho Geral original. Não foi senão em 17 de junho de 1956 que a Primeira Sociedade Urântia foi constituída e o Fórum, depois de 33 anos, passou à história quando muitos de seus membros se tornaram parte dos 156 membros iniciais da nova Sociedade. Uma nova fase havia começado. Os intrépidos membros do Fórum agora se preparavam para compartilhar “O Livro de Urântia” com o mundo.

O Fórum tinha ouvido ou lido muitas coisas dos supervisores celestiais sobre a disseminação pública do “Livro de Urântia”, entre as quais se encontram as afirmações que se seguem. Em alguns casos mudei o tratamento, da primeira para a segunda pessoa.

“O futuro não está aberto à nossa compreensão mortal, mas faremos bem se estudarmos diligentemente a ordem, o plano e os métodos de progresso praticados durante a vida terrestre de Micael (de Nébadon), quando a Palavra se fez carne. Estamos nos tornando atores de um episódio em que a Palavra é feita livro. É grande a diferença entre essas dispensações de religião, porém muitas são as lições que podem ser aprendidas com o estudo da idade anterior”.

“Nós vemos ‘O Livro de Urântia’ como um aspecto da evolução progressiva da sociedade humana. Ele não é igual aos episódios espetaculares das revoluções de época, embora esteja aparentemente temporizado para aparecer no despertar de uma revolução dessa natureza na sociedade humana. O Livro pertence à era que se seguirá imediatamente à conclusão da presente luta ideológica. Naqueles dias os homens estarão desejosos de procurar a verdade e a retidão. Quando o caos da presente confusão tiver passado, será mais facilmente possível formular o cosmo de uma nova e melhorada era de relacionamentos humanos. E é para essa melhor ordem dos acontecimentos na Terra que o Livro foi feito”.

Mas a publicação do Livro não foi adiada para aquela (possivelmente) algo remota data. Uma publicação precoce do Livro foi oferecida, de modo a fazê-la disponível para o treinamento de líderes e professores. Sua presença é também necessária para atrair a atenção de pessoas ricas, que assim poderão ser motivadas a proporcionar os recursos para a tradução em outros idiomas.

“Devemos aprender a cultivar a paciência em nossas almas. Estamos associados a uma Revelação da verdade que é parte da evolução natural da religião neste mundo. Um crescimento excessivamente rápido seria suicida. O Livro está sendo dado àqueles que estão prontos para ele, bastante antes do dia de sua missão em escala mundial. Milhares de grupos de estudo deverão ser criados e o Livro deverá ser traduzido para muitas línguas. Assim o Livro estará pronto para confortar e iluminar os povos de muitos idiomas, quando a batalha pela liberdade do homem for finalmente vencida e o mundo estiver novamente seguro para a religião de Jesus e a liberdade da humanidade”.

“Desde o Evangelho de Jesus, jamais apareceu na Terra um núcleo tão dinâmico, em torno do qual pudessem ser construídas tantas organizações e que pudesse atrair tantos homens com motivações diferentes – bons, maus e indiferentes”.

“Durante 1900 anos, nunca houve nada que pudesse gerar tanta confusão e competição pelo controle quanto a sua organização, e na era presente não se pode combater esses problemas senão pela organização”.

“Estão vocês preparados para o batismo de alegrias e tristezas que certamente acompanhará a inauguração dos Documentos de Urântia para o mundo?”

Até o momento destes escritos, começamos e continuamos o nosso “batismo de alegrias e tristezas”. Eu próprio considero um grande milagre a culminação do processo que resultou na publicação do “Livro de Urântia” com tão pura e acurada forma. Foram necessários 50 anos de participação humana: pensamentos, ações e sentimentos humanos. Aquelas pessoas experimentaram a dúvida, a perplexidade, a confusão, a perturbação e a incerteza, assim como o conflito pessoal e social. Mesmo assim, nesse processo eles confraternizaram, cresceram e tiveram êxito em lançar a Quinta Revelação de Época da Verdade para Urântia. Todas as dificuldades continuaram e se multiplicaram desde que esse barco deixou o porto. Os Reveladores afirmaram que levaria 50 – 75 anos (a partir de 1955) de adequada gestão para assegurar o sucesso desta última Revelação. Terá ela sucesso em preparar o ambiente para a entrada na Era de Luz e Vida? Tornar-se-á o nosso mundo uma maravilha de redenção e restauração em todo (o Super-Universo de) Orvônton? Ou será que essa operação de época terminará comprometida e distorcida, como tantas de nossas anteriores Revelações neste planeta? Será que nos tornaremos uma das verdadeiramente grandes decepções cósmicas? Isso dependerá daqueles de vocês que atualmente cultivam esse vinhedo, e dos que virão logo em seguida.

Mesmo havendo os supra-humanos previsto muitas dificuldades na disseminação pública da Revelação, devemos confiar que através de tais perturbações e problemas, tempestades e tensões, poderemos emergir triunfantes com a Quinta Revelação de Época ao final desta era de transição. Ao decidir o que fazer em cada ponto decisivo desse esforço para adiante, faremos bem em examinar como todo esse processo começou e progrediu até o momento. Assim poderemos agir com maior sabedoria ao ajudarmos na condução dessa última Revelação, do porto seguro para o alto mar de nosso destino evolucionário.

Um dos pontos principais desta história terá passado despercebido caso vocês concebam esses eventos históricos como remotos em relação aos atuais e caso revistam os cada vez mais distantes Comissários de Contato e membros do Fórum com auras douradas de grandeza, como os Peregrinos fundadores da América. Não digo isso para minimizar as realizações dessas pessoas. Entretanto, eles eram essencialmente pessoas comuns, feitas grandes apenas pela sua dedicação. Aqueles acontecimento não são remotos; eles deram e ainda estão dando forma à realidade de hoje em dia.

O mesmo poder de tomar decisões importantes e dedicar a vontade humana a servir essa Revelação reside em cada um de nós. Podemos não ser todos reservistas, podemos não ser todos líderes no empreendimento, mas cada um de nós pode atingir o mesmo nível de dedicação de um reservista. E Deus tomará nota e nos utilizará para o melhor proveito, seja como soldados rasos ou grandes comandantes. “A vida é um dia de trabalho – façam-no bem feito. O ato é de vocês; as conseqüências são de Deus” (*p. 556).

A Revelação ainda está nos estágios iniciais de sua divulgação para o mundo. Ela ainda precisa de homens e mulheres dedicados para ter êxito, tanto quanto nos dias iniciais, ou mais ainda. Não faltam posições a ocupar. Essencialmente, vocês estão limitados apenas por suas imaginações. Tempos grandes e históricos passam por nós agora, assim como passaram por aqueles do início do século 20. É que alguns aspectos da realidade de hoje em dia raramente parecem tão monumentais quanto os tempos passados. Mas eles o são. É necessária a dedicação de milhões de religionistas neste exato momento. Para aqueles que cultivarem essa dedicação, grandes momentos estarão sempre disponíveis. Deus sempre falará para aqueles que O desejam ouvir: “Tome a minha mão. Caminhe comigo. Siga minhas instruções. Eu aceito a sua ajuda”.

Se tiver alguma pergunta específica, o leitor poderá obter mais informações ao contactar:

Mark Kulieke – P.O. Box 9343, Green Bay, WI 54308-9343, (414) 465-9864

Por favor, envie um envelope com os selos e o endereço para restituição.

Os recursos obtidos com a venda deste documento e com quaisquer contribuições se destinarão a uma apresentação em fita dessa história e à criação de uma biblioteca de materiais relativos ao movimento Urântia, a ser disponibilizada para uso público. Estou procurando obter um número isento de impostos.

Apêndice

A última mensagem formal recebida pelos Comissários de Contato veio de nossos amigos invisíveis, os Reveladores, no começo de janeiro de 1955. Por vários anos o Livro já estava pronto. O Fórum havia feito uma coleta de fundos e outras contribuições haviam tornado possível a composição dos Documentos em placas de níquel. Mas essas placas estavam guardadas em uma gráfica de Indiana havia anos! O Fórum e os Comissários tinham pacientemente esperado pela autorização para imprimir os Documentos e dá-los ao mundo, um acontecimento que alguns deles acreditavam que provocaria uma excitante reviravolta no mundo!

A última mensagem que eles receberam, dizendo-lhes para imprimir o Livro, veio em janeiro de 1955. O ser que a transmitiu era de alta hierarquia e de formidável personalidade pragmática. Ele se apresentou e comunicou o que se segue, em palavras mais ou menos assim:

“Eu sou Norson. Sou um Melquisedeque. Sou o Príncipe Planetário de Urântia. Embora não tenha certeza de que este é o momento de publicar os Documentos, vocês poderão publicá-lo se não receberem qualquer comunicação adicional minha até 1º de outubro deste ano”. O Dr. Sadler estava melancólico quando levou essa informação ao conhecimento do Fórum: “Acho que recebemos nossa última mensagem”, ele ponderou. E quando o silêncio divino se estendeu por semanas, meses e anos, ele foi levado a observar: “Estávamos tão solitários!”


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